Em quarto lugar, a tomada de posição da Igreja do Brasil como instituição frente a determinados acontecimentos, questões ou processos sociais. Seja através da CNBB ou de alguma de suas comissões ou de algum de seus regionais; seja através de organizações laicais ou de alguma pastoral social específica. Pensemos, por exemplo, nas denúncias de tortura na ditadura militar e no processo de redemocratização da sociedade brasileira; na defesa da reforma agrária e dos movimentos camponeses; na defesa dos povos indígenas e quilombolas e da demarcação de suas terras; nas críticas à política econômica neoliberal dos vários governos; na denúncia da corrupção política e no apoio a processos de reforma política.
Em quinto lugar, a promoção e participação campanhas, eventos e processos de discussão e mobilização sociais os mais diversos torno de direitos fundamentais negados ou de mecanismos que produzem injustiça. Pensemos, aqui, por exemplo, nas campanhas da fraternidade, nas semanas sociais, nos gritos dos excluídos, nos plebiscitos populares (dívida externa, ALCA, leilão da Vale, limite da propriedade, reforma política), nos projetos de lei contra a corrupção eleitoral e de reforma política, nas diversas articulações e mobilizações nível nacional (indígenas, camponeses, mulheres, projeto popular etc.).
Por fim, sexto lugar, as discussões, articulações e mobilizações nível mundial dentro da Igreja e da Igreja com diversas forças sociais. Cabe mencionar, aqui, a discussão sobre o processo de globalização e seus mecanismos de exclusão social nas últimas encíclicas sociais e nos documentos do Pontifício Conselho Justiça e Paz; a participação de (grupos) cristãos e crentes de muitas religiões no Fórum Social Mundial e no fórum paralelo ou integrado teologia e libertação,
bem como outras organizações e mobilizações sociais nível mundial; e a atuação profética do papa Francisco no cenário mundial (migração, fome, conflitos e guerras, mercado, injustiça socioambiental etc.), particularmente através da encíclica Louvado seja “Sobre o cuidado da casa comum” e dos encontros com os movimentos populares.
Importa fortalecer e intensificar a participação dos cristãos, das comunidades, das pastorais, dos movimentos, da vida religiosa, enfim, do conjunto da Igreja, ainda que de modos distintos, nos processos de transformação da sociedade – sempre na perspectiva da justiça do Reino que tem nos pobres e marginalizados seu critério e sua medida permanentes (Lc 10, 25-37; Mt 25, 31-46).
Padre Francisco de Aquino Júnior
Doutor teologia pela universidade de Münster/Alemanha;
professor de teologia da Faculdade Católica de Fortaleza (FCF) e da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP);
presbítero da Diocese de Limoeiro do Norte – CE.
Colaborou: Teologia Nordeste
