Jesus – pregador fascinante – com simples, mas, eficazes imagens, revela o mundo novo, o Reino, que ele veio inaugurar na história humana: transformar a escuridão luz e uma comida intragável alimento gostoso e apetecível. Cristo, ”Luz do mundo”, faz Seu discípulo, por sua vez, luz: “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” – disse Jesus no contexto das Bem-aventuranças. São bem aventurados: os que creem, os que optam por serem pobres, mansos, misericordiosos, famintos e sedentos de justiça, operadores de paz, puros de coração, perseguidos por causa da justiça e construtores der um mundo mais justo e fraterno.
A presença dos cristãos no mundo pode ser comparada com a dos dez justos nas cidades de Sodoma, ou, com a presença de um só justo na cidade de Jerusalém, na época de Jeremias. São indispensáveis, para que os povos, santificados pelo Espírito Santo, se tornem “uma oferta agradável ao Senhor”. Ser sal da terra, ser luz do mundo, brilhar diante dos homens são imagens, para anunciar a grande missão, que Jesus confia aos discípulos: uma função pública, um papel histórico, um serviço a ser prestado a todos. Exorta, por isso, Seus discípulos à coerência, à perseverança, a serem fiéis ao carisma recebido, e a colaborar com outras pessoas de boa vontade, para construir um mundo mais justo e fraterno, conforme à dignidade da pessoa humana, de filhos de Deus.
Como pode um discípulo ser, concretamente ,“sal da terra e luz do mundo”? “Os homens – responde Jesus – vendo as vossas boas obras, vão glorificar o vosso Pai, que está nos céus”. A fé, a oração e o jejum valem pouco, se não forem acompanhados pela ação; mais do que o esplendor do culto, o que agrada a Deus são as obras de misericórdia, que o Juízo Universal sublinha, tão claramente, e que a Igreja desdobra, como uma mãe amorosa, nas sete obras de misericórdia corporais e nas sete obras de misericórdias espirituais. Não são as palavras, que dão glória a Deus, mas, a prática da justiça, os gestos de solidariedade e o compromisso tarefas construtivas. O discípulo, ao se colocar ao lado dos mais fragilizados e desprezados, dá um sabor novo ao convívio humano e, perante o mundo, um claro testemunho de Cristo.
“Sal da terra e luz do mundo”, com estas imagens, o Divino Mestre não pretende dar um atestado de louvor ou de superioridade, ou, um título de honra, aos seus discípulos – pois poderiam levá-los a ter uma atitude triunfalista, considerando-se melhores e superiores aos outros – ao contrário, estas imagens têm por finalidade criar nos discípulos a consciência de sua enorme responsabilidade na história humana, e encorajá-los no esforço permanente de transformar a fé vida, a oração ação, a contemplação compromisso de justiça e solidariedade. A luz de Cristo, assim, não apenas, é destinada a ilumina o mundo futuro, mas, também, pelas obras de Seus discípulos, o tempo presente, envolvendo a todos com o brilho de Sua luz divina. Acolher Jesus é viver na luz.
Autor: Pe. Ernesto Ascione
(Missionário Comboniano)
