Muitas vezes, essa indignação e revolta são como “fogo de palha”. Outras vezes, são como “fogo de monturo” e podem se constituir como força social capaz de afrontar e alterar a ordem social vigente. Essa alteração pode ser mais superficial ou mais profunda. Em todo caso, trata-se sempre de um processo e de um processo social.
a) Processo permanente
Antes de tudo, é preciso insistir no fato de que a transformação das estruturas da sociedade é algo processual e permanente. Não se muda a sociedade da noite para o dia a toque de mágica (imediatismo) nem de uma vez por todas (definitivamente). A mudança é um processo permanente.
Dizer que é um processo é dizer que vai se dando aos poucos, de acordo com força social acumulada e com as reais possibilidades com que se conta cada momento. Não basta dizer que tem que mudar, é preciso dizer como mudar e, aqui, a questão se torna muito mais difícil e complexa.
Até porque não se pode ignorar nem minimizar as forças de resistência e reação à transformação da ordem social vigente. Importa, todo caso, 1) construir e fortalecer processos sociais os mais diversos de conquista de direitos; 2) articular o máximo possível esses diferentes processos sociais, acumulando força no enfrentamento da ordem social vigente; 3) e nunca desconectar as lutas e os processos concretos/locais do enfrentamento maior e mais complexo do sistema ou da ordem social vigente que produz injustiça social: local – global.
