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Ceilândia
A força histórica dos pobres: profecia ou demagogia?
CBs

A Dimensão Socioestrutural da Opção Preferencial pelos Pobres

A dimensão socioestrutural da opção pelos pobres tem a ver precisamente com a participação e colaboração da Igreja nos processos de transformação das estruturas da sociedade – sempre a partir e vista dos direitos dos pobres e marginalizados.

O engajamento da Igreja nos processos de transformação das estruturas da sociedade dá-se tanto através da atuação de cristãos diversos movimentos e organizações sociais; quanto através de serviços, pastorais e organismos de apoio, acompanhamento e defesa de setores marginalizados e de suas lutas e organizações populares; quanto, ainda, pela tomada de posição da Igreja enquanto instituição e força social através de seus ministros e de seus organismos de animação e coordenação pastoral (bispos, conferências episcopais, coordenações e articulações pastorais etc.).

Convém, aqui, ao menos indicar essas diversas formas de participação da Igreja nos processos de transformação das estruturas da sociedade para que se possa compreender melhor a riqueza e a complexidade do dinamismo da pastoral social.

Em primeiro lugar, o engajamento de milhares de cristãos nas mais diversas lutas sociais (terra, água, moradia, educação, saúde, liberdade política, igualdade racial e de gênero, justiça socioambiental etc.) e nas mais diversas organizações populares (sindicatos, associações, partidos, movimentos etc.). É impossível falar das lutas, organizações e conquistas populares na América Latina nas últimas décadas sem falar da participação dos cristãos e da contribuição da fé cristã nesses processos.

Em segundo lugar, a tomada de posição pública de Igrejas locais (através de seu bispo, de seu presbitério, de sua coordenação pastoral ou de seus serviços e organismos de pastoral social) favor de comunidades, grupos ou setores injustiçados e marginalizados: trabalhadores greve; ocupações de terra no campo e na cidade; comunidades atingidas por barragens e projetos do agro-hidro-negócio; menores, população de rua e encarcerados vítimas da violência policial; superfaturamento de obras públicas e corrupção eleitoral, dentre outros. São situações bem concretas que acontecem lugares bem concretos e agridem pessoas bem concretas.

Em terceiro lugar, os diversos serviços, organismos e pastorais sociais criados na Igreja para acompanhar determinados grupos e setores sociais marginalizados e colaborar com suas lutas e organizações sociais: Centros de Direitos Humanos, Comissão Pastoral da Terra, Conselho Indigenista Missionário, Pastoral Operária, Serviço Pastoral dos Migrantes, Conselho Pastoral dos Pescadores, Pastoral dos Nómades, Pastoral Carcerária, Pastoral do Povo da Rua, Pastoral da Mulher Marginalizada, Pastoral Afro-Brasileira, Pastoral da AIDS, Pastoral da Criança, Pastoral do Menor, Pastoral da Pessoa Idosa, Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Caritas etc.

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