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A força histórica dos pobres: profecia ou demagogia?
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A Dimensão Socioestrutural da Opção Preferencial pelos Pobres

E o papa Francisco tem insistido muito que a opção pelos pobres “envolve tanto à cooperação para resolver as causas estruturais da pobreza e promover o desenvolvimento integral dos pobres, como os gestos mais simples e diários de solidariedade para com as misérias muito concretas que encontramos” (EG, 188); passa não só pelos gestos pessoais e comunitários de solidariedade, mas também pela luta pela transformação das estruturas da sociedade. “Embora ‘justa ordem da sociedade e do Estado seja dever central da política’, a Igreja ‘não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça” (EG, 183).

E isso é urgente: “A necessidade de resolver os problemas estruturais da pobreza não pode esperar […] Os planos de assistência, que acorrem a determinadasergências, deveriam considerar-se como respostas provisórias. Enquanto não forem solucionados os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social, não se resolverão os problemas do mundo e, definitivo, problema algum. A desigualdade é a raiz dos males sociais” (EG, 202).

Na Encíclica Laudato Si, fala explicitamente de “amor civil e político”: “O amor, cheio de pequenos gestos e cuidado mútuo, é também civil e político, manifestando-se todas as ações que procuram construir um mundo melhor. O amor à sociedade e o compromisso pelo bem comum são uma formainente de caridade, que toca não só as relações entre indivíduos, mas também ‘as macro relações como relacionamentos sociais, econômicos, políticos’” (LS, 231).

E, falando da “conversão ecológica”, adverte que “para se resolver uma situação tão complexa como esta que enfrenta o mundo atual, não basta que cada um seja melhor […] Aos problemas sociais responde-se, não com a mera soma de bens individuais, mas com redes comunitárias: ‘As exigências desta obra serão tão grandes, que as possibilidades das iniciativas individuais e a cooperação dos particulares, formados de maneira individualista, não serão capazes de lhes dar resposta. Será necessária uma união de forças e uma unidade de contribuições. A conversão ecológica, que se requer para uma mudança duradoura, é também uma conversão comunitária” (LS, 219).

De modo que não se pode perder de vista a dimensão socioestrutural da opção pelos pobres. E para isto não basta a conversão do coração. É preciso insistir também na necessidade e urgência de transformação das estruturas da sociedade. O que exige uma melhor compreensão da problemática socioestrutural.

A PROBLEMÁTICA SOCIOESTRURAL

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