Quando falamos de sociedade ou estruturas da sociedade, falamos da organização e estruturação de nossa vida coletiva. Seja no que diz respeito à produção e distribuição de bens e riquezas (economia); seja no que diz respeito às relações de poder geral e à organização sócio-política da sociedade particular (relações sociais e organização política); seja, ainda, no que diz respeito às mais diversas formas de justificação e legitimação dos interesses pessoais e grupais, bem como da manutenção ou transformação da ordem social vigente (cultura).
Noutras palavras, falamos do conjunto de mecanismos que ordenam e regulamentam nossa vida coletiva: costumes, mentalidades, regras, normas, leis e instituições (econômicas, familiares, sexuais, sociais, educativas, religiosas, políticas, jurídicas, coercitivas etc.). Tudo isso condiciona enormemente a vida das pessoas e dos grupos. Para o bem e/ou mal.
É verdade que na maioria das vezes não nos damos conta desses mecanismos de organização e regulamentação sociais. Por isso mesmo a discussão acerca das estruturas da sociedade parece uma discussão abstrata e distante. É difícil tocar e agarrar as estruturas da sociedade. Mas não é difícil perceber, por exemplo, que alguns têm todas as condições e facilidades para produzir e/ou acumular riquezas, bem como para defender seus interesses, enquanto a grande maioria da população não dispõe dessas condições e facilidades;
que os pobres pagam proporcionalmente mais imposto que os ricos; que o Estado financia a atividade econômica dospresários e banqueiros (infraestrutura, subsídios fiscais, taxa de juros etc.); que garante toda infraestrutura urbana nos bairros de classe média-alta e não nas favelas e periferias; que certas profissões são bem reconhecidas e remuneradas e outras não; que muitas pessoas são oprimidas e marginalizadas por causa de sua cultura, de seu sexo, de sua orientação sexual, de sua idade etc.;
que as leis são feitas pela elite para proteger seus interesses e que a “justiça” normalmente está do seu lado etc. E tudo isso se deve grande medida ao modo concreto como nossa sociedade está organizada. A pobreza e a marginalização social não são uma casualidade nem uma fatalidade. São frutos de um modo injusto e desigual de organização de nossa vida coletiva. De modo que sua superação passa necessariamente pela transformação desse modo de organização da sociedade.
2. Transformação da sociedade
