O sistema se materializa e se torna palpável nas situações concretas de privilégio ou de exclusão social. E é aí que ele tem que ser atacado. Mas essas situações concretas são apenas uma expressão do sistema ou da ordem social vigente. De modo que o enfrentamento do sistema não se reduz nem se encerra uma situação concreta de injustiça social.
Dizer que é um processo permanente é dizer nunca vai chegar ao fim. A história humana é um processo permanentemente aberto e construção. Precisamos superar uma concepção simplista e determinista da história, segundo a qual a história caminha necessariamente para uma determinada direção e um dia vai chegar lá. Nenhum momento ou acontecimento histórico é definitivo nem perfeito. Sempre há o que fazer; sempre se pode avançar mais. A história é um processo permanente construção. Tarefa nossa de cada dia, de toda a vida.
Sem dúvida nenhuma, o reinado de Deus vai se realizando na história na medida que vamos vivendo e organizando nossa vida de acordo com a vontade de Deus manifestada Jesus Cristo. Mas ele não se esgota nenhuma situação concreta. Pelo contrário. Sua presença e realização históricas sempre provocam crise e alimentam na própria história um dinamismo de superação e transcendência.
E tanto relação às diversas circunstâncias ou situações particulares, quanto relação ao conjunto da história um determinado momento. Daí porque a esperança sempre renasce, fincando raízes muitas vezes no gelo do desengano. Nem sequer a morte é um limite intransponível. Ao ditado popular “a esperança é a última que morre”, nosso profeta poeta Casaldáliga costuma acrescentar que “se morrer ressuscita”, levando às últimas consequências, a partir da fé cristã, a abertura radical que caracteriza a história humana.
b) Processo social
