Mas além de ser um processo permanente, a transformação das estruturas da sociedade é um processo social que se dá mediante a constituição de uma força social capaz de confrontar a ordem social vigente e capaz de alterá-la ou mesmo transformá-la. Nenhuma pessoa sozinha consegue transformar a sociedade. Certamente, todos os processos de transformação social são desenvolvidos a partir de pessoas concretas e por pessoas concretas. Mas só se realizam na medida que essas pessoas concretas vão se articulando e se constituindo como força social: “a união faz a força”!
É que a sociedade tem certa autonomia relação aos indivíduos, tem um dinamismo próprio que, mediante costumes, mentalidades, regras, normas, leis e instituições as mais diversas tende a estabilizar e conservar o dinamismo ou a ordem vigente. Transformar a sociedade ou as estruturas da sociedade é transformar esses mecanismos que organizam nossa vida coletiva de uma determinada forma e que, por favorecerem a certos setores da sociedade, são defendidos por eles a todo custo.
Basta ver que todas as conquistas sociais ao longo da história se deram mediante a mobilização, organização e luta de determinados setores da sociedade. Normalmente de setores prejudicados e marginalizados na sociedade, mesmo que com o apoio e a solidariedade de outras pessoas e grupos sociais. Às vezes isso leva muito tempo. Tanto tempo, que as gerações ou setores que alcançaram essas conquistas nem se dão conta do processo histórico que possibilitou essas conquistas; processo regado muitas vezes com sangue…
São os mártires da caminhada… Quantos trabalhadores, quantos camponeses, quantos indígenas, quantos negros, quantas mulheres, quantos homossexuais etc. pagaram com a própria vida o preço da luta por seus direitos. Nenhuma luta é vão; nenhum sangue derramado na luta é vão. Sempre pode brotar e produzir frutos. É verdade que nem sempre quem semeia e quem rega é quem colhe; mas se alguém colhe é porque alguém semeou e regou.
Daí porque a transformação das estruturas da sociedade seja um processo e um processo social. Vai se dando aos poucos: uma pequena conquista abre possibilidades de novas conquistas e assim por diante. E vai se dando a partir da mobilização, organização e luta dos marginalizados e seus aliados: a união faz a força. É um processo social permanente. Tarefa nossa de cada dia, de toda a vida, de toda a história.
