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  • Santos Proto e Jacinto

    Origens: A historicidade dos dois mártires é um fato incontestável: sua memória é celebrada, de fato, no Depositio Martyrum, Roma, no Sacramentário Gelasiano (ms. De São Galo), no Gregoriano, vários itinerários (Salisburgense, Epitome de locis sanctis) e no calendário napolitano. 

    Proto e Jacinto foram sepultados no cemitério de Bassilla (mais tarde de S. Ermete) num cubículo que o Papa Dâmaso, no século IV, mandou limpar o desmoronamento e dotá-lo de escada de acesso e claraboia, recordando o fato numa placa onde falava do sepulcro dos mártires já escondido sub aggere montis e tornado acessível por ele. Reparos subsequentes foram feitos para o túmulo, como algumas inscrições e o Lib. Pont. (I, p. 261), evidência de um culto muito difundido. Por isso, são verídicos quanto à crítica histórica. 

    Quanto às relíquias: Quando, no século VIII-IX , os papas começaram a tradução das relíquias dos mártires das catacumbas para as igrejas urbanas, até os ossos de Proto (e não os de Jacinto) foram transferidos para Roma. Na realidade, até 1845 acreditava-se que os restos mortais dos dois mártires foram encontrados na cidade, mas uma feliz descoberta arqueológica do padre Marchi provou que o túmulo de São Jacinto permanece intacto no cemitério de São Ermete. 

    Em 21 de março de 1845, de fato, uma escavadeira desenterrou uma laje com esta inscrição: “dp III idus septebr Yacinthus mártir” que havia permanecido seu local original; não muito longe foi encontrado um fragmento de uma lápide com a inscrição sepulcro Proti M. 

    No túmulo, foram encontrados ossos carbonizados, uma indicação do tipo de martírio sofrido por Jacinto. Como a tumba era muito escassa, pensava-se que havia sido escavada durante a perseguição de Valeriano, quando os cristãos foram proibidos de acessar as tumbas.

    Atualmente, os ossos de Jacinto são venerados no colégio de Propaganda Fide; enquanto os de Proto S. Giovanni dei Fiorentini. A festa de ambos é celebrada no dia 11 de setembro.

    Páscoa: Os fatos da vida de Proto e Jacinto estão contidos uma narrativa absolutamente lendária: nela se diz que eram dois irmãos eunucos que eram escravos de Eugênia, filha do nobre romano Filipe, prefeito de Alexandria no Egito. Nesta localidade, os dois jovens cristãos conseguiram que Eugênia entrasse num mosteiro. Após eventos fictícios, a família de Filipe se converteu. Eugenia, então, retornou à Roma e realizou um apostolado; a sua amiga Bassila, ansiosa por aderir ao cristianismo, deu a seus escravos Proto e Jacinto para instruí-la na verdade da fé. Após sua conversão, Bassila foi denunciada por seu namorado ao magistrado que a condenou à morte junto com os dois jovens. 

    Os irmãos: Em algumas lendas romanas, há outros grupos de jovens eunucos a serviço das mulheres: como Calogero e Partenio, Giovanni e Paolo; é, portanto, uma razão comum e recorrente. Que Proto e Jacinto eram irmãos já é afirmado por Dâmaso, mas na ausência de documentos mais seguros não se pode excluir que a notícia seja lendária. Talvez tenha surgido do fato de os dois mártires terem sido enterrados próximos um do outro. Não é raro, neste tipo de narração, transformar parentes mártires sepultados na mesma área. Mas, com certeza, se tornaram irmãos pela fé Cristo e por seu testemunho na entrega total à Deus.

    Minha oração: “Que os irmãos mártires nos ensinem o mistério da amizade. Também pedimos a Deus que nos conceda irmãos na fé, pessoas que nos ensinem e nos ajudem na caminhada rumo ao céu. Amém.”

    Santos Proto e Jacinto, rogai por nós!

    Outros santos e beatos celebrados 11 de setembro:

    Martirológio Romano

    1.   Em Roma, no cemitério de Basila, junto à Via Salária Antiga, o sepultamento dos santos mártires Proto e Jacinto, a quem o papa São Dâmaso, depois de recuperar os seus túmulos ocultos na terra, celebrou com seus versos. Neste lugar, passados quase quinze séculos, foi encontrado intacto o sepulcro e o corpo cremado de São Jacinto.(† s. III)

    2*.   Em Zurique, na hodierna Suíça, os santos mártires Félix e Régula.(† data inc.)

    3.   Comemoração de São Pafnúcio, bispo no Egipto, que foi um dos confessores da fé que, no tempo do imperador Galério Maximino, depois de lhes ser vasado o olho direito e cortado o tendão do pé esquerdo, foram condenados às minas; mais tarde participou no Concílio de Niceia, onde defendeu vigorosamente contra os arianos a fé católica.(† s. IV)

    4.   Em Lião, na Gália, na actual França, São Paciente, bispo, que, movido pela caridade, distribuiu gratuitamente alimentos necessários às cidades situadas ao longo dos rios Ródano e Saône para socorrer as populações oprimidas pela fome; além disso, exerceu grande actividade apostólica na conversão dos hereges e no cuidado dos pobres.(† c. 480)

    5.   Em Paris, também na actual França, o passamento de São Sacerdote, bispo de Lião, que viveu no temor e amor de Deus e morreu quando se encontrava nesta cidade para participar no concílio.(† 552)

    6*.   Na ilha de Bardsey, no litoral da Câmbria setentrional, hoje País de Gales, São Daniel (Deiniol Wyn), bispo e abade de Bangor.(† c. 584)

    7*.   No mosteiro de Luxeuil, na Borgonha, hoje na França, o passamento de Santo Adélfio, abade do mosteiro de Remiremont, que lavou com muitas lágrimas a dissenção de um breve momento.(† c. 670)

    8*.   Em Toul, na Austrásia, também na actual França, São Leudino ou Bodon, bispo, que, depois de se ter casado, tomou a decisão de se retirar para a vida monástica, ao mesmo tempo que também sua esposa, Odila, seguia o mesmo caminho.(† a. 680)

    9*.   No mosteiro de Aulinas, na Calábria, região da Itália, Santo Elias, de sobrenome Espeleota, que seguiu a vida eremítica e depois cenobítica.(† 960)

    10*.   Em Nagasáki, no Japão, os beatos Gaspar Koteda, catequista, e as crianças Francisco Takeya e Pedro Shichiemon, mártires, que, depois de seus pais terem sofrido o martírio na véspera deste dia, também eles padeceram por Cristo com a mesma força de ânimo o mesmo suplício da decapitação.(† 1622)

    11*.   Em Roma, o Beato Boaventura de Barcelona (Miguel Gran), irmão da Ordem dos Frades Menores, que, animado pelo seu grande amor à observância regular, construiu muitos lugares do território romano conventos destinados a retiros espirituais, manifestando sempre rigorosa austeridade de vida e caridade para com os pobres.(† 1648)

    12*.   Num barco-prisão ancorado ao largo de Rochefort, na França, o Beato Francisco Mayaudon, presbítero e mártir, que, durante a Revolução Francesa, foi preso na galera por causa do sacerdócio e morreu consumido pela gangrena.(† 1794)

    13.   Em Wuchang, no Hubei, província da China, São João Gabriel Perboyre, presbítero da Congregação da Missão e mártir, que, para pregar o Evangelho, se adaptou aos usos e costumes do lugar; mas, desencadeada a perseguição, sofreu um longo e penoso cárcere e, finalmente foi suspenso duma cruz e morreu estrangulado.(† 1840)

    14*.   Em Barcelona, na Espanha, o Beato Pedro de Alcântara (Lourenço Villanueva Larrayoz), religioso da Ordem de São João de Deus e mártir, que, durante a perseguição contra a fé, sofreu o martírio por ser religioso.(† 1936)

    15*.   Em Genovés, povoação do território de Valência, também na Espanha, o Beato José Maria Segura Panadés, presbítero e mártir, que na mesma perseguição derramou o seu sangue por Cristo.(† 1936)

    16♦.   Em Hellin, perto de Albacete, também na Espanha, o Beato Fortunato Árias Sánchez, presbítero da diocese de Albacete e mártir, que, durante a perseguição contra a Igreja, foi assassinado ódio ao sacerdócio.(† 1936)

    17♦.   Em Krasica, na Croácia, o Beato Francisco João Bonifácio, presbítero da diocese de Trieste e mártir, que. durante a ocupação da sua pátria por um regime inumano e anti-religioso, foi cruelmente assassinado ódio à Igreja e ao sacerdócio.(† 1946)

  • São Guido de Anderlecht

    Nascomento: Guido nasceu Bruxelas, Bélgica, 950, numa família pobre que trabalhava no campo. Acostumado com a vida simples e humilde, cresceu com um amor muito grande pelas coisas de Deus, pela oração e pelo serviço. Ele é considerado protetor dos estábulos, especial dos cavalos.

    Em busca de uma união maior com Deus, foi para a cidade de Laeken, perto de Bruxelas, onde serviu no Santuário de Nossa Senhora em todos os trabalhos que o sacerdote pedisse, limpando o chão, o teto, o altar sagrado, fazendo as tarefas de sacristão e cuidador da Igreja com muito zelo. Assim, além de se sentir útil ao próximo, ele tinha tempo para se dedicar à oração e às piedosas práticas de ascese (regulação moral do comportamento) cristã. Viveu dois séculos antes de São Francisco de Assis, e alertava sobre o perigo que o dinheiro traz às almas.

    Guido desde muito jovem soube que tinha vocação para a vida sacerdotal. Era muito desapegado e, ainda na juventude, doou aos pobres tudo o que tinha e ganhava. Em determinado momento de sua vida, não por desejo de lucro, mas para fazer um fundo a favor dos pobres, ele aceitou fazer um acordo com um mercador para um negócio cuja renda seria destinada totalmente aos pobres da cidade. Mas esse não era o caminho que o Senhor queria para ele: Guido percebeu isso quando o primeiro navio armado naufragou no porto fluvial de Bruxelas.

    Assim, deixou tudo, se vestiu com o hábito de peregrino e por sete anos percorreu as longas e inseguras estradas da Europa para visitar os maiores santuários da cristandade penitência e oração. Durante suas viagens, dedicou-se à evangelização e a levar Jesus a todos os que encontrava, mas também dando pão aos famintos. Foi a Roma e depois prosseguiu para a Terra Santa. Ao voltar, passou por Roma, onde encontrou o decano de Anderlecht, que, seu leito de morte, o encarregou de continuar a anunciar a Boa Nova.

    Guido voltou para Anderlecht, chegando lá cansado e doente. Pouco tempo depois, ele morreu, 12 de setembro de 1012. No momento da morte, uma luz brilhou volta do santo. Hoje, seus restos mortais descansam na igreja Colegiada da cidade. No decorrer dos séculos, a devoção a São Guido se difundiu. São Guido protege os estábulos, as escuderias e particular os cavalos, que durante a festa anual de Anderlecht são abençoados ao término de uma procissão folclórica.

    Reflexão: O estilo de vida de São Guido foi fundamentado no desapego aos bens materiais, ao amor ao próximo e a busca pela santidade. Seu propósito era pregar o amor de Deus sobre todas as coisas, amando o próximo e cuidando dos mais necessitados. Suas maiores virtudes eram a caridade e o silêncio. Num mundo marcado pela pobreza, violência e desigualdades, a vida de São Guido nos inspira a lutar pela construção de uma nova sociedade.

    Oração: Deus nosso Pai, colocamos agora neste momento, sob a vossa proteção todo o nosso agir e todo o nosso viver. Caminhemos hoje buscando a vossa face de luz. Em tudo procuremos a simplicidade, a cordialidade, o bom senso, o bom humor, a alegria cristã, pois lamúrias e tristeza para nada servem. Procuremos mais ajudar que ser ajudados, mais servir que ser servidos, mais somar que dividir mais ouvir que falar. Não faltemos com a cordialidade, o respeito, a sinceridade, sobretudo para com os que vivem juntos a nós. Por Cristo nosso Senhor. Amém!

     

    Outros Santos do dia 12:

    Martirológio Romano

    Santíssimo Nome da Virgem Santa Maria. Neste dia se evoca o inefável amor da Mãe de Deus para com o seu santíssimo Filho e se propõe aos olhos dos fiéis a figura da Mãe do Redentor para ser piedosamente invocada.

    2.   Na Bitínia, na hodierna Turquia, Santo Autónomo, bispo e mártir.(† c. s. III)

    3.   Em Alexandria, no Egipto, os santos CrónidesLeôncio e Serapião, que, segundo a tradição, foram lançados ao mar no tempo do imperador Maximino por confessarem o nome de Cristo.(† s. III)

    4*.   Em Imlech, cidade da Momónia, província da Irlanda, Santo Albeu, bispo, que pregou o Evangelho muitos lugares desta ilha.(† c. 528)

    5.   Em Anderlecht, no Brabante, actualmente na Bélgica, São Guido, que depois de ter sido sacristão da igreja de Mariensee, se dedicou com suma liberalidade ao auxílio dos pobres, fez-se peregrino dos Lugares Santos durante sete anos e finalmente regressou à sua terra, onde morreu piedosamente.(† c.1012)

    6*.   Em Omura, no Japão, os beatos Apolinário Franco, da Ordem dos Frades Menores, e Tomás Zumárraga, da Ordem dos Pregadores, presbíteros, e quatro companheiros[1], mártires, que, ódio à fé cristã, foram metidos no cárcere e depois queimados vivos.


    [1]  São estes os seus nomes: Francisco de São Boaventura e Pedro de Santa Clara, religiosos da Ordem dos Frades Menores, e Domingos Magoshichi e Mateus de São Tomás Chiwiato, religiosos da Ordem dos Pregadores.(† 1622)

    7*.   Num barco-prisão ancorado ao largo de Rochefort, na França, o Beato Pedro Sulpício Cristóvão Faverge, irmão da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs e mártir, que, tendo sido encarcerado durante a Revolução Francesa por ser religioso, dedicou todos os seus cuidados aos companheiros de prisão, até que, atingido por uma enfermidade contagiosa, morreu piedosamente.(† 1794)

    8.   Em Seul, na Coreia, São Francisco Ch’oe Kyong-hwan, mártir, que era catequista e, recusando abjurar da fé cristã ante a intimação do governador, foi recluído no cárcere, onde continuou a dedicar-se à oração e à catequese, até que, extenuado pela atrocidade dos tormentos, consumou o seu martírio.(† 1839)

    9♦.   Em Trévi, cidade da Úmbria, região da Itália, Maria Luísa (Gertrudes Prósperi), abadessa da Ordem de São Bento, dotada de experiências espirituais extraordinárias e generosidade para com os necessitados.(† 1847)

    10♦.   Em Ruidellots, perto de Gerona, na Espanha, os beatos Emério José (José Plana Rebugent), e Hugo Julião (Julião Delgado Díez), religiosos da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs e mártires, que, na mesma perseguição, virtude da sua intrépida fidelidade recebeu do Senhor a recompensa eterna.(† 1936)

    11♦.   Em Manlleu, perto de Barcelona, também na Espanha, o Beato Miguel de Jesus (Jaime Puigferrer Mora), religioso da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs e mártir, que, na violenta perseguição contra a Igreja, foi assassinado ódio à vida religiosa.(† 1936)

  • São João Crisóstomo

    Nascimento: São João Crisóstomo nasceu por volta do ano 349, Antioquia, na Síria, Ásia Menor, procedente de uma família muito rica, assim considerada pela sociedade e pelo Estado. Seu pai era comandante de tropas imperiais no Oriente, um cargo que cedo causou sua morte. Sua mãe, Antusa, piedosa e caridosa, agora santa, providenciou para o filho ser educado pelos maiores mestres do seu tempo, tanto científicos quanto religiosos, não prejudicando sua formação.

    Bom Orador: Desde criança, João Crisóstomo foi um campeão da palavra. O famoso reitor Libônio, seu professor, que via no jovem seu sucessor natural. No entanto, ficou desapontado quando aquele estudante promissor preferiu o fascínio da fé ao da retórica, “se os cristãos não me o tivessem roubado”, exclamou!

    Na verdade, João foi “roubado” pela atração que nutria pelas palavras sagradas, que estudava com atenção no círculo de amizades de Diodoro, futuro bispo de Tarso. Precisamente, São Paulo foi um dos seus favoritos, ao qual dedicou inúmeros pensamentos e escritos.

    Vocação: O bispo Fabiano o ordenou sacerdote, mas, desde o período de diaconato, João demonstrava claramente que a sua capacidade de falar das Escrituras ao povo era fora do comum. Antes desta fase de vida, o jovem também fez a experiência eremítica: seis anos no deserto, dos quais, os dois últimos, uma caverna. Essa experiência consolidou nele um caráter de sobriedade que reforçou ainda mais as suas palavras, que abalavam por sua franqueza.

    Amor aos pobres: São João Crisóstomo pregava o amor concreto aos irmãos mais pobres; chamava a atenção dos monges para as obras de caridade e a se desapegarem do dinheiro; exortava os leigos a evitar a teia de aranha da devassidão. Enfim, dava mais espaço ao espírito e menos à carne. João foi um moralista, no sentido positivo do termo, uma época que, extrair dos provérbios bíblicos normas de comportamento coerentes com a vida de um batizado era bastante normal.

    A Mudança: Em 397, quando tinha 50 anos, deu-se a grande mudança. São João Crisóstomo estava Constantinopla para suceder o Patriarca Nectário. Mudou sua função, teve maior visibilidade e proximidade da corte, mas quem não mudou nada foi João. Aquele que combatia a corrupção — que lotava os palácios do poder bizantino —, continuou fiel ao seu estilo. As pessoas o amavam por isso, diziam seus contemporâneos.

    Inimigos: Quem começou a detestá-lo, cada vez mais abertamente, era a nobreza e o clero, apegados aos privilégios, mas também por culpa daquele homem que, ao invés de se alinhar com os companheiros do grupo, do qual fazia parte, lançava flechadas com sua língua impetuosa. A indolência e os vícios, sobretudo dos que usavam batina, eram seus alvos favoritos. Às palavras, seguiram os fatos: muitos padres foram removidos por indignidade, inclusive o bispo de Éfeso. Para muitos, era exagerado demais e, contra um homem, que, no fundo, era mais ingênuo que astuto, começa a série de intrigas.

    Condenação: O partido contra João foi liderado pelo Patriarca de Alexandria, Teófilo, e pela Imperatriz Eudóxia. Em sua ausência, convocaram um sínodo, que obrigou João ao exílio, era o ano 403. Mas a sua remoção não durou muito. Por furor popular, João Crisóstomo voltou para Constantinopla, porém, seus adversários relançaram o desafio. Em 9 de junho de 404, uma nova condenação o afastou do centro do Império. O antigo eremita deparou-se com uma solidão forçada.

    Páscoa: São João Crisóstomo foi condenado ao exílio, mas essa expulsão da cidade provocou revolta tão intensa na população, a ponto de o bispo ser trazido de volta para reassumir seu cargo. Entretanto, dois meses depois, foi exilado pela segunda vez. Agora, já com a saúde muito debilitada, ele não resistiu. João “boca de ouro”, como foi apelidado mais tarde, faleceu 407, Comana, no Ponto.

    Minha oração: “Ó Santo, protetor da fé, ajuda-nos a não cair nas ciladas do demônio nem nas diversas ideologias mundanas da atualidade. Fazei que a nossa fé cresça cada dia mais e, com ela, possamos encontrar Jesus verdadeiramente. Pedimos também pelos pregadores da atualidade, a fim de que anunciem o Evangelho com ousadia. Amém!”

    São João Crisóstomo, rogai por nós!

    Outros santos e beatos celebrados 13 de setembro:

    Martirológio Romano

    Memória de São João, bispo de Constantinopla e doutor da Igreja, que, nascido Antioquia e ordenado sacerdote, mereceu pela sua eloquência sublime ser chamado Crisóstomo e, eleito bispo desta sede, se revelou como grande pastor da Igreja e mestre da fé. Condenado pelos seus inimigos ao exílio, foi daí chamado de novo à sua sede por decreto do papa Inocêncio I e, durante a viagem de regresso, sofrendo muitos maus tratos dos soldados que o acompanhavam, entregou a sua alma a Deus no dia catorze de Setembro, Comana, no Ponto, hoje Gumenek, na Turquia.(† 407)

    2.   Em Ancira, na Galácia, hoje Ancara, também na Turquia, São Juliano, presbítero e mártir no tempo do imperador Licínio.(† s. IV)

    3.   Em Jerusalém, a dedicação das basílicas que o imperador Constantino quis piedosamente edificar sobre o monte Calvário e sobre o sepulcro do Senhor.(† 355)

    4.   Em Tours, na Gália Lionense, hoje na França, São Litório, bispo, que foi o primeiro a construir uma igreja dentro dos muros da cidade, onde já anteriormente havia cristãos.(† 371)

    5.   Em Valence, na Gália Lionense, também na actual França, Santo Emiliano, venerado como o primeiro bispo desta cidade.(† d. 374)

    6.   Em Cartago, na hodierna Tunísia, São Marcelino, mártir, que, sendo tribuno e muito amigo de Santo Agostinho e de São Jerónimo, sob a pressão do usurpador Heracliano foi acusado falsamente e morto inocente pelos hereges donatistas, por defenser a fé católica.(† 413)

    7.   Em Angers, na Gália Lionense, actualmente na França, São Maurílio, bispo, que, nascido Milão, foi ao encontro de São Martinho de Tours, pelo qual foi ordenado presbítero e enviado a dirigir a Igreja de Chalonnes-sur-Loire; eleito bispo,penhou-se infatigavelmente erradicar as superstições pagãs dos povos rurais.(† 453)

    8.   Nos montes Vosgos, na Nêustria, também na actual França, Santo Amado, presbítero e abade, insigne pela sua austeridade, jejuns e amor à solidão, que dirigiu sabiamente o mosteiro de Habend, depois denominado Remiremont, por ele fundado juntamente com São Romarico.(† c. 629)

    9.   Na ilha de Tino, no golfo de La Spézia, na Ligúria, região da Itália, São Venério, eremita.(† s. VII)

    10.   Em Breuil, na Gália Ambianense, hoje na França, o passamento de Santo Amado, bispo de Sion, na Suíça, que, por ordem do rei Teodorico II, foi mandado para o exílio e aí morreu.(† c. 690)

    11*.   Em Toledo, na Espanha, a Beata Maria de Jesus (Maria López de Rivas), virgem da Ordem das Carmelitas Descalças, que teve a graça extraordinária da comunicação das dores da Paixão do Senhor, tanto na alma como no corpo, permanecendo sempre humilde e paciente tudo.(† 1640)

    12*.   Num barco-prisão ancorado ao largo de Rochefort, na França, o Beato Cláudio Dumonet, presbítero e mártir, que, sendo mestre de artes, durante a perseguição religiosa foi encerrado na esquálida galera, onde, com os pés encadeados e desfalecido pela febre e condições desumanas, morreu por Cristo.(† 1794)

    13*.   Em Almeria, na Andaluzia, região da Espanha, o Beato Aurélio Maria (Benvindo Villalon Acebron), irmão da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs e mártir, assassinado ódio à Igreja.(† 1936)

  • Exaltação da Santa Cruz

    Origens: Esta festa de Exaltação da Santa Cruz nasceu Jerusalém, em 13 de setembro de 335, no aniversário da dedicação das duas igrejas construídas por Constantino, uma sobre o Gólgota (ad Martyrium) e a outra perto do Santo Sepulcro (Ressurreição), após a descoberta das relíquias da cruz por Helena, a mãe do imperador. A cruz, instrumento da mais terrível das torturas, 320, Constantino a proibiu de ser utilizada.

    Restituição da Cruz: Em 614, Cosroes II, rei dos Persas, travou uma guerra contra os Romanos. Depois de derrotar Jerusalém, levou consigo, entre os diversos tesouros, também a Cruz de Jesus. Heráclio, imperador romano de Bizâncio, propôs um pacto de paz com Cosroes, que não aceitou. Diante da sua negação, entrou guerra com ele e venceu, perto de Nínive, e pediu a restituição da Cruz, que a levou de volta a Jerusalém. Neste dia da Exaltação da Santa Cruz, não se glorifica a crueldade da Cruz, mas o Amor que Deus manifestou aos homens ao aceitar morrer na Cruz.

    Cruz: o amor de Deus para conosco: O Evangelho, que a liturgia nos propõe na festa da Exaltação da Santa Cruz, diz que Deus pretende construir uma relação de amor com cada um de nós; Ele se oferece na pessoa do seu Filho Jesus, pregado na Cruz. O fato de levantarmos o olhar para Deus nos propõe uma verdade importante: somos convidados a voltar a nos relacionarmos de novo com Ele. 

    A Misericórdia: O fato de elevar o nosso olhar não nos deve causar medo, mas gratidão, porque tal elevação é a medida do amor com a qual Deus ama os seus filhos no Filho. Com efeito, a misericórdia de Deus ilumina as noites da nossa vida e nos permite continuar o nosso caminho.

    Não há espaço para indiferença: Não podemos permanecer indiferentes diante da Cruz de Jesus: nem com Ele nem contra Ele. Trata-se de uma escolha, que deve ser feita antes de qualquer ação. A vida do cristão é o testemunho de quanto “Deus nos amou a ponto de dar seu Filho Jesus”.

    Festa: A festa da Exaltação da Santa Cruz, 14 de setembro, conservou-se nos documentos. Contudo, na litúrgica, andou muito lentamente, sobretudo porque o dia 14 estava já ocupado pelos santos mártires Cipriano e Cornélio. A reforma litúrgica pós-conciliar restabeleceu a importância do dia de hoje, que é festa.

    Significado da Cruz: Para o cristão, a cruz significa a árvore da vida, o trono, o altar da Nova Aliança: de Cristo, o novo Adão adormecido na cruz, brotou o admirável sacramento de toda a Igreja. A cruz é o sinal de Cristo sobre aqueles que no Batismo são configurados a Ele morte e glória.

    Minha oração: “Sabemos que tudo neste mundo é passageiro, mas a tua salvação através da Cruz permanece. Fazei que aprendamos a adorar a Santa Cruz e nela alcancemos força e consolo. Amém!”

    Santa Cruz, sede a nossa salvação!

    Outros santos e beatos celebrados 14 de setembro

    Martirológio Romano

    Festa da Exaltação da Santa Cruz, que, no dia seguinte à dedicação da basílica da Ressurreição, erigida sobre o sepulcro de Cristo, é exaltada e honrada como o troféu da sua vitória pascal e sinal que há-de aparecer no céu para anunciar a todos a segunda vinda do Senhor.

    2.   Em Roma, junto à Via Ápia, na cripta de Lucina do cemitério de Calisto, o sepultamento de São Cornélio, papa e mártir, que se opôs tenazmente ao cisma de Novaciano e recebeu com grande caridade na comunhão da Igreja muitos dos que tinham caído no cisma; exilado pelo imperador Galo para Civitavécchia, sofreu, segundo o testemunho de São Cipriano, tudo o que se podia sofrer. A sua memória celebra-se depois de amanhã.(† 252)

    3.   Em Cartago, na hodierna Tunísia, a paixão de São Cipriano, bispo, admirável pela sua santidade e doutrina, que dirigu excelentemente a Igreja tempos muito adversos, encorajou os confessores da fé nas suas tribulações e, no tempo dos imperadores Valeriano e Galieno, depois de um atribulado exílio, consumou o seu martírio diante de uma grande multidão, morto ao fio da espada por ordem do procônsul. A sua memória celebra-se depois de amanhã.(† 258)

    4.   Em Colónia, na Germânia, hoje na Alemanha, São Materno, bispo, que conduziu à fé de Cristo os habitantes de Tongres, Colónia e Tréveris.(† d. 314)

    5.   Em Comana, no Ponto, hoje Gumenek, na Turquia, o dia natal de São João Crisóstomo, cuja memória se celebra na véspera deste dia.(† 407)

    6.   No mosteiro de Bellevaux, no território de Besançon, o passamento de São Pedro, bispo, que, sendo abade cisterciense, foi elevado à sede episcopal de Moutiers, que dirigiu com ardente zelo, trabalhando também valorosamente pela concórdia entre os povos.(† 1174)

    7.   Em Akko, na Palestina, Santo Alberto, bispo, que, transferido da Igreja de Vercelas para a Igreja de Jerusalém, compôs uma regra para os eremitas do monte Carmelo e, quando celebrava a festa da Exaltação da Santa Cruz, foi passado à espada por um homem ímpio que ele tinha repreendido.(† 1215)

    8*.   Em Ében, povoação do Tirol, na hodierna Áustria, Santa Notburga, virgem, que, dedicada à vida doméstica, serviu a Cristo nos pobres, dando aos camponeses um admirável exemplo de santidade.(† 1313)

    9*.   Num barco-prisão ancorado ao largo de Rochefort, no litoral da França, o Beato Cláudio Laplace, presbítero e mártir, que, durante a Revolução Francesa, encerrado na galera por causa do sacerdócio, morreu contagiado por uma grave enfermidade.(† 1794)

    10.   Em Chengdu, cidade do Sichuan, província da China, São Gabriel Taurino Dufresse, bispo e mártir, que culminou com o martírio por decapitação a intensa actividade apostólica a que se dedicou durante quarenta anos.(† 1815)

    11♦.   Em Madrid, na Espanha, os beatos Sabino Ayastuy ErrastiJoaquim Ochoa Salazar e Florêncio Arnaiz Cejudo, religiosos da Companhia de Maria e mártires, que, durante a perseguição contra a fé, alcançaram a glória celeste.(† 1936)

    12♦.   Também Madrid, Manuel Álvarez Álvarez, presbítero, e Teófilo Montes Calvo, religioso, ambos da Ordem dos Pregadores e mártires, que, na mesma perseguição, alcançaram a palma da glória celeste. († 1936)

  • Nossa Senhora das Dores

    Origens: A devoção à “Mater Dolorosa”, muito difundida, sobretudo nos países do Mediterrâneo, desenvolveu-se a partir do final do século XI. Em 1814, o Papa Pio VII a incluiu no calendário litúrgico romano, fixando-a 15 de setembro, no dia seguinte à festa da Exaltação da Santa Cruz. 

    Esta devoção foi comprovada pelo “Stabat Mater”, atribuído ao Frei Jacopone de Todi (1230-1306), no qual compôs as “Laudes”. No século XV, encontramos as primeiras celebrações litúrgicas sobre Nossa Senhora das Dores, “em pé” junto à Cruz de Jesus. 

    Ordem dos Servos de Maria: Recordamos que, 1233, nasceu a “Ordem dos Servos de Maria”, que muito contribuiu para a difusão do culto a Nossa Senhora das Dores, tanto que, 1668, seus membros receberam a autorização para celebrar a Missa votiva das Sete Dores de Maria.

    A Data: Em 1692, o Papa Inocêncio XII permitiu a sua celebração oficial no terceiro domingo de setembro. Mas foi só por um período, pois, 18 de agosto de 1714, a celebração foi transferida para a sexta-feira, que precedia o Domingo de Ramos. 

    No dia 18 de setembro de 1814, Pio VII estendeu esta festa litúrgica a toda a Igreja, voltando a ser celebrada no terceiro domingo de setembro. 

    Pio X (†1914) determinou que a celebração fosse celebrada 15 de setembro, um dia após a festa da Exaltação da Santa Cruz, mas não com o título de “Sete Dores de Maria”, mas como “Nossa Senhora das Dores”.

    Memória: A memória de Nossa Senhora das Dores chama-nos a reviver o momento decisivo na história da salvação e a venerar a Mãe associada à Paixão do seu filho e, próxima d’Ele, levantada na cruz. A sua maternidade assume dimensões universais no Calvário. 

    As sete dores de Nossa Senhora

    As dores correspondem ao mesmo número de episódios narrados no Evangelho:

    1. A profecia de Simeão sobre Jesus (Lucas, 2,34-35);
    2. A fuga da Sagrada Família para o Egito (Mateus, 2,13-21);
    3. O desaparecimento do Menino Jesus durante três dias (Lucas 2,41-51);
    4. O encontro de Maria e Jesus a caminho do Calvário (Lucas 23,27-31);
    5. O sofrimento e morte de Jesus na Cruz (João 19,25-27);
    6. Maria recebe o corpo do filho tirado da Cruz (Mateus 27, 55-61);
    7. O sepultamento do corpo do filho no Santo Sepulcro (Lucas, 23, 55-56).

    Imagem de Nossa Senhora das Dores: Nossa Senhora das Dores é representada com um semblante de dor e sofrimento, tendo sete espadas ferindo seu imaculado coração. Às vezes, uma só espada transpassa seu coração, simbolizando todas as dores que ela sofreu. Ela é também representada com uma expressão sofrida diante da Cruz, contemplando o filho morto. Foi daí que se originou o hino medieval chamado Stabat Mater Dolorosa (Estava a Mãe Dolorosa). Ela ainda é representada segurando Jesus morto nos braços, depois de seu corpo ser descido da Cruz, dando, assim, origem à famosa escultura chamada Pietà.

    Minha oração: “Ó Mãe das dores, recolhei as nossas lágrimas e sofrimentos, acolhei os nossos pedidos para que sejamos consolados e cresçamos nossa fé. Lembrai de nós vossos filhos tão necessitados. Amém!”

    Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

    Outros santos e beatos celebrados 15 de setembro:

    Martirológio Romano

    Memória de Nossa Senhora das Dores, que, estando de pé junto à cruz de Jesus, foi associada íntima e fielmente à paixão salvífica do seu Filho e se apresentou como a nova Eva, de modo que, assim como a desobediência da primeira mulher conduziu à morte, assim a admirável obediência da Virgem Maria trouxe a vida.

    2.   Em Roma, São Nicomedes, mártir, cujo corpo, guardado no cemitério junto à Via Nomentana, foi honrado pelo papa Bonifácio V com uma basílica sepulcral.(† data inc.)

    3.   Em Tirnutium, junto ao rio Saône, na Gália Lionense, hoje Tournus, na França, São Valeriano, mártir.(† data inc.)

    4.   Em Tómis, na Cítia, hoje Constança, na Roménia, os santos EstratãoValérioMacróbio e Gordiano, mártires, que foram mortos, segundo a tradição, no tempo do imperador Licínio.(† s. IV)

    5.   Nas margens do Danúbio, território da actual Roménia, São Nicetas o Godo, mártir, que por ordem do rei ariano Atanarico foi queimado vivo ódio à fé católica.(† c. 370)

    6.   Em Lião, na Gália, actualmente na França, Santo Alpino, bispo, que sucedeu a São Justo.(† s. IV)

    7.   Em Toul, próximo de Nancy, na Gália Lionense, também na actual França, Santo Apro, bispo.(† s. VI)

    8.   No mosteiro de Jumièges, na Nêustria, actualmente também na França, Santo Aicardo, abade, discípulo de São Filiberto, que o nomeou prelado desse mosteiro.(† s. VII)

    9.   Em Córdova, na Andaluzia, região da Espanha, os santos mártires Émila, diácono, e Jeremias, que, durante a perseguição dos Mouros, depois de um longo e atribulado cativeiro, consumaram com a decapitação o seu martírio por Cristo.(† 852)

    10*.   Em Busseto, no território de Fidenza, na Emília-Romanha, região da Itália, o Beato Rolando de Médicis, anacoreta, que viveu lugares inóspitos e solitários dos Alpes, praticando rigorosa penitência e falando só com Deus.(† 1386)

    11.   Em Génova, na Ligúria, também região da Itália, Santa Catarina Fiéschi, viúva, insigne pelo desprezo do mundo, frequentes jejuns, amor de Deus e caridade para com os indigentes e os enfermos.(† 1510)

    12*.   Em Hirado, cidade do Japão, o Beato Camilo Costanzo, presbítero da Companhia de Jesus e mártir, que, condenado pelo supremo comandante Hidetada a ser queimado vivo, nem nas chamas da fogueira deixou de pregar o anúncio de Cristo.(† 1622)

    13*.   Em Santo Domingo Xagácia, no México, os beatos João Baptista e Jacinto dos Anjos, mártires, que, sendo catequistas, cruelmente flagelados por se recusarem a venerar os ídolos vez de Cristo, imitando a paixão do Senhor mereceram a recompensa eterna.(† 1700)

    14*.   Em Viena, na Áustria, o Beato António Maria Schwartz, presbítero, que, para promover a assistência pastoral e a defesa dos direitos dos aprendizes e dos jovens operários, instituiu a Congregação de São José de Calasanz para os Operários Cristãos.(† 1929)

    15♦.   Em Palermo, na Sicilia, região da Itália, o Beato José Puglísi, presbítero diocesano e mártir, mais conhecido por Pino Puglisi, que durante os trinta e três anos do seu ministério pastoral se dedicou incansavelmente ao anúncio do Evangelho, especialmente aos seus “preferidos” – as crianças, os desprotegidos, os pobres – e foi assassinado por agentes da máfia.(† 1933)

    16*.   Em Llosa de Ranes, povoação da província de Valência, na Espanha, o Beato Pascoal Penadés Jornet, presbítero e mártir, que, durante o tempo da perseguição religiosa, vencendo o combate terreno, alcançou a plenitude da salvação eterna.(† 1936)

    17*.   Próximo de Munique, cidade da Baviera, na Alemanha, o Beato Ladislau Miegon, presbítero e mártir, que, deportado da Polónia por um regime hostil a Deus e aos homens, foi encarcerado no campo de concentração de Dachau por causa da sua fé e, suportando numerosos tormentos, alcançou a coroa de glória.(† 1942)

    18*.   Em Nápoles, na Itália, o Beato Paulo Manna, presbítero do Instituto Pontifício para as Missões Estrangeiras, que, deixando a acção missionária na Birmânia por causa da sua debilitada saúde, trabalhou intensamente na obra da evangelização, dedicando-se com toda a energia à pregação da palavra de Deus e à promoção da unidade dos cristãos.(† 1952)

  • São Cornélio e São Cipriano

    Origens: A comemoração destes dois mártires, São Cornélio e São Cipriano, no mesmo dia, é muito antiga. O Martirológio de São Jerônimo já os celebrava juntos. Essa data escolhida indica, particular, a renúncia ao trono papal do primeiro e a morte do segundo por decapitação. 

    Cornélio, o Papa: Em Roma, no ano 251, após alguns anos de cargo vacante, devido à perseguição de Décio, Cornélio foi eleito Papa 251. Era um romano, talvez, de origem nobre, mas, certamente, reconhecido como homem de fé, justo e amoroso.

    Contudo, a sua eleição não foi aceita pelo herege Novaciano, que se fez consagrar antipapa e promoveu um cisma precisamente na Cidade de Roma. 

    Cornélio — que apoiava a distância o Bispo Cipriano —, foi acusado de ser muito manso com os “lapsos”: estes eram apóstatas, que retornavam à Igreja, sem as devidas penitências. Estes voltavam às atividades, simplesmente com a apresentação de um certificado de reconciliação, obtido de algum suposto confessor.

    Além do mais, uma epidemia abateu-se sobre Roma e, depois, teve início também a perseguição anticristã de Galo. O Papa Cornélio foi exilado e preso Civitavecchia, onde faleceu 253, mas foi sepultado nas catacumbas de São Calisto, Roma.

    Cipriano, Bispo: Cipriano nasceu Cartago, no ano 210, era um hábil retórico, que exercia a profissão de advogado. Certo dia, ao ouvir a palavra de Jesus, converteu-se ao Cristianismo. Transcorria o ano 246. Graças à sua fama de intelectual, foi imediatamente ordenado sacerdote e consagrado Bispo da sua cidade. Mas, Cartago, a situação dos cristãos não era fácil: agravaram-se as perseguições de Décio, depois de Galo, Valeriano e Galieno. 

    Assim, muitos fiéis, ao invés de morrer, decidiram voltar ao paganismo. Com o tempo, alguns se arrependeram, mas a conduta de acolhida e benevolência do Bispo Cipriano com eles não foi aceita pelos rigoristas. Envolvido na contenda dos “lapsos”, lutou contra o Padre Novato, que apoiava o antipapa Novaciano, e contra o diácono Felicissimo, que havia eleito Fortunato como antibispo. 

    Em 252, Cipriano conseguiu convocar um Concílio, Cartago, para condená-los, enquanto o Papa Cornélio, Roma, confirmava a excomunhão deles. Durante a perseguição de Valeriano, o clandestino Cipriano retornou a Cartago, para dar testemunho da fé, mas ali foi martirizado.

    Amor à verdade: A memória dos santos mártires São Cornélio e São Cipriano, os quais celebramos hoje, o mundo cristão os louva a uma só voz, como testemunhas de amor por aquela verdade que não pode ceder, professada por eles tempos de perseguição diante da Igreja de Deus e do mundo.

    Minha oração: “Os santos mártires doaram sua vida pela fé, e quão lindo testemunho é ver os pastores entregando-se como Jesus. Fazei que nossos líderes tenham a mesma coragem e força para sustentar a fé do povo de Deus, assim como testemunhar com a própria vida. Por Cristo, Senhor nosso. Amém!”

    São Cornélio e São Cipriano, rogai por nós!

    Outros santos e beatos celebrados 16 de setembro:

    Martirológio Romano

    Memória de São Cornélio, papa, e São Cipriano, bispo, mártires, dos quais se recordam no dia catorze de Setembro o sepultamento do primeiro e a paixão do segundo. Neste dia todo o orbe cristão louva unanimemente os testemunhos de amor à verdade indefectível, que, tempo de perseguição, estes santos prestaram perante a Igreja e o mundo.(† 252; 258)

    2.   Em Calcedónia, na Bitínia, na actual Turquia, Santa Eufémia, virgem e mártir, que, no tempo do imperador Diocleciano e do procônsul Prisco, suportando por Cristo muitos suplícios, pela coragem no combate alcançou a coroa de glória.(† c. 303)

    3.   No Monte Soratte, junto à Via Flamínia, no Lácio, região da Itália, os santos Abúndio e companheiros, mártires.(† 304)

    4.   Em Roma, junto à Via Nomentana “ad Cápream”, no cemitério Maior, os santos VítorFélixAlexandre e Papias, mártires.(† data inc.)

    5*.   Em Nócera, na Campânia, região da Itália, São Prisco, bispo e mártir, que São Paulino de Nola celebrou nos seus panegíricos poéticos.(† c. s. IV)

    6.   Em Whithorn, na Escócia, a comemoração de São Niniano, bispo, bretão de nascimento, que conduziu à verdade da fé os Pictos e estabeleceu neste lugar a sede episcopal.(† c. 432)

    7.   Em Córdova, na Andaluzia, região da Espanha, os santos mártires Rogélio, monge de avançada idade, e do jovem Servideu (Abdallah), nativos do Oriente, que, por anunciarem audazmente Cristo ao povo sarraceno, foram condenados à morte e, sem o menor sentimento de tristeza, sofreram a amputação das mãos e das pernas e finalmente foram decapitados.(† 852)

    8*.   Em Praga, na Boémia, na Chéquia, Santa Ludmila, mártir, duquesa da Boémia, que, indicada para a educação do seu neto São Venceslau, cujo ânimo sepenhou infundir o amor de Cristo, foi estrangulada na sequência de uma conjura da sua nora Dragomira e de outros nobres pagãos.(† 921)

    9.   Em Wilton, na Inglaterra, Santa Edite, virgem, filha do rei dos Anglos, que, desde tenra idade, entrou num mosteiro, onde abraçou generosa e humildemente a vida consagrada a Deus.(† c. 984)

    10*.   Em Montecassino, no Lácio, região da Itália, o passamento do Beato Vítor III, papa, que depois de ter dirigido sabiamente durante trinta anos este célebre mosteiro e o ter promovido magnificamente, assumiu a missão de governar a Igreja de Roma.(† 1087)

    11*.   Em Savigny, na Normandia, região da França, São Vital, abade, que, abandonando as funções terrenas, se entregou a uma observância mais rigorosa lugares desertos e reuniu muitos discípulos no cenóbio por ele fundado.(† 1122)

    12*.   No mosteiro de Huerta, na região de Castela, na Espanha, o passamento de São Martinho, chamado Sacerdote, que, sendo abade cisterciense, foi ordenado bispo de Sigüenza, onde se dedicou com grande diligência à reforma do clero, e depois se retirou novamente para o mesmo mosteiro.(† 1213)

    13*.   Em Salon, na Provença, região da França, o passamento do Beato Luís Alemand, bispo de Arles, insigne pela sua vida de singular piedade e penitência.(† 1450)

    14*.   Em Nagasáki, no Japão, os beatos mártires Domingos ShobioyeMiguel Timonoya e seu filho Paulo, que foram degolados ódio à fé cristã.(† 1628)

    15.   Em Lima, no Peru, São João Macias, religioso da Ordem dos Pregadores, que durante muito tempo exerceu ofícios humildes, cuidou diligentemente dos pobres e dos enfermos e assiduamente recitava o Rosário pelas almas dos defuntos.(† 1645)

    16.   Em Sai-Nam-Hte, na Coreia, a paixão de Santo André Kim Taegon, presbítero e mártir, que, depois de dois anos dedicados com grande zelo ao ministério sacerdotal, alcançou um glorioso martírio, sendo decapitado; a sua memória celebra-se no dia vinte de Setembro.(† 1846)

    17*.   Em Ódena, povoação da província de Barcelona, na Espanha, o Beato Inácio Casanovas Perramón, presbítero da Ordem dos Clérigos Regrantes das Escolas Pias e mártir, que morreu por Cristo durante o terror da perseguição religiosa.(† 1936)

    18*.   Em Turis, na província de Valência, também na Espanha, os beatos mártires Laureano (Salvador Ferrer Cardet), presbítero, Benito Maria (José Manuel Ferrer Jordá) e Bernardino (Paulo Martínez Robles), religiosos da Ordem dos Terciários Capuchinhos de Nossa Senhora das Dores, que, durante a mesma perseguição, foram mortos pelos homens mas elevados por Deus ao reino celeste.(† 1936)

  • São Roberto Bellarmino

    Nascimento: Nascido 4 de outubro de 1542, Montepulciano, perto de Siena, São Roberto Bellarmino era filho dos nobrespobrecidos Vincenzo Bellarmino e Cinzia Cervini, que era irmã do Papa Marcelo II. Ele teve uma excelente educação humanista antes de entrar na Companhia de Jesus 20 de setembro de 1560. Os estudos filosofia e teologia, que realizou entre o Colégio Romano, Pádua e Louvain, centraram-se São Tomás e os padres da Igreja, foram decisivos para sua orientação teológica. Ordenado sacerdote 25 de março de 1570.

    Professor e Orientador da Fé: São Roberto Bellarmino foi professor de teologia Louvain por alguns anos. Posteriormente, chamado à Roma como professor do Colégio Romano, foi-lhe confiada a cátedra de “Apologética”; na década que ocupou esse cargo (1576-1586), elaborou um curso de lições que, mais tarde, se fundiu na Controversiae , obra que imediatamente se tornou famosa pela clareza e riqueza de conteúdo e pelo viés predominantemente histórico. O Concílio de Trento acabava de terminar, e para a Igreja Católica era necessário fortalecer e confirmar sua identidade também relação à Reforma Protestante. A ação do Bellarmino se insere nesse contexto. 

    De 1588 a 1594, foi o primeiro pai espiritual dos alunos jesuítas do Colégio Romano, entre os quais conheceu e dirigiu São Luís Gonzaga, e, mais tarde, superior religioso. O Papa Clemente VIII o nomeou teólogo pontifício, consultor do Santo Ofício e reitor do Colégio das Penitenciárias da Basílica de São Pedro. Seu catecismo, Breve Doutrina Cristã , que foi sua obra mais popular, remonta ao biênio 1597-1598.

    Cardeal: Em 3 de março de 1599, foi criado cardeal pelo Papa Clemente VIII e, 18 de março de 1602, foi nomeado arcebispo de Cápua. Recebeu a ordenação episcopal 21 de abril do mesmo ano. Nos três anos que foi bispo diocesano, destacou-se pelo zelo de pregador sua catedral, pela visita semanal às paróquias, pelos três sínodos diocesanos e por um conselho provincial ao qual deu vida. Depois de ter participado dos conclaves que elegeram o Papa Leão XI e Paulo V, foi chamado a Roma, onde foi membro das Congregações do Santo Ofício, do Índice, dos Ritos, dos Bispos e da Propagação da Fé. Ele também teve cargos diplomáticos, com a República de Veneza e Inglaterra, defesa dos direitos da Sé Apostólica. 

    Páscoa: São Roberto Bellarmino, seus últimos anos, compôs vários livros sobre espiritualidade, nos quais condensou o fruto de seus exercícios espirituais anuais. Ao lê-los, o povo cristão ainda hoje recebe grande edificação. Morreu Roma 17 de setembro de 1621. O Papa Pio XI o beatificou 1923, o canonizou 1930 e o proclamou Doutor da Igreja 1931.

    Minha oração: “Grande santo professor e apologista, educa-nos no caminho da fé, livrai-nos das heresias e leva-nos ao conhecimento mais profundo de Jesus Cristo Nosso Senhor. Por meio da tua intercessão, confiamos a Santa Igreja, Cardeais e Bispos, para que sejam modelos do Bom Pastor. Amém!”

    São Roberto Bellarmino, rogai por nós!

    Outros santos e beatos celebrados 17 de setembro: 

    Martirológio Romano

    São Roberto Belarmino, bispo e doutor da Igreja, da Companhia de Jesus, que debateu excelentemente as controvérsias teológicas do seu tempo com acuidade e competência; nomeado cardeal, consagrou-se com grande zelo ao ministério pastoral na Diocese de Cápua, na Itália, e finalmente dedicou-se Roma a muitos trabalhos pela defesa da Sé Apostólica e da doutrina da fé.(† 1621)

    2.   Em Milão, na Ligúria, hoje na Lombardia, região da Itália, o sepultamento de São Sátiro, cujos méritos insignes são mencionados pelo seu irmão Santo Ambrósio. Ainda não iniciado nos mistérios de Cristo, sofreu um naufrágio, mas não temeu a morte; contudo, salvo das ondas, não querendo acabar esta vida sem ter recebido os sacramentos da fé, aderiu à Igreja de Deus; fortaleceu-se então a íntima e mútua fraternidade com seu irmão Ambrósio, pelo qual foi sepultado junto ao mártir São Vítor.(† c. 377)

    3.   Em Liège, na Austrásia, na actual Bélgica, a paixão de São Lamberto, bispo de Maastricht e mártir, que, mandado para o exílio, foi acolhido no mosteiro de Stavelot; regressando depois à sua sede, exerceu egregiamente o seu ministério pastoral, até ao momento que foi morto inocente por ímpios inimigos.(† c. 705)

    4*.   Na floresta de Argonne, junto ao rio Mosa, também na Austrásia, actualmente na França, São Rodingo, abade, que fundou e piedosamente dirigiu o mosteiro de Beaulieu.(† s. VIII in.)

    5.   Em Córdova, na Andaluzia, região da Espanha, Santa Colomba, virgem e mártir, que, durante a perseguição dos Mouros, se apresentou espontaneamente para dar testemunho da sua fé perante o juiz e o conselho dos sátrapas e foi imediatamente degolada junto às portas do palácio.(† 853)

    6*.   Em Melinais, no território de Angers, na França, São Reinaldo, eremita, que se retirou na floresta de Craon para cumprir mais perfeitamente os mandamentos do Senhor.(† c. 1104)

    7.   No mosteiro de Rupertsberg, Bingen, no estado de Hesse, na Alemanha, Santa Hildegarda, virgem, célebre pela sua sabedoria nas ciências naturais, na medicina e na arte musical, bem como na contemplação mística, sobre a qual escreveu alguns livros.(† 1179)

    8*.   Em Avigliana, no território de Turim, no Piemonte, região da Itália, o Beato Querubim Testa, presbítero da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, devotíssimo da Paixão do Senhor.(† 1479)

    9.   Em Saragoça, cidade de Aragão, na Espanha, São Pedro de Arbués, presbítero e mártir, dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, que combateu as superstições e heresias no reino de Aragão e foi morto por alguns inquiridos diante do altar da igreja catedral.(† 1485)

    10♦.   Em Gora Kalwária, na Polónia, Santo Estanislau de Jesus e María (João Papczynski), presbítero e fundador dos Clérigos Marianos da Imaculada Conceição da Virgem Maria.(† 1701)

    11.   Em Hué, no Anam, actualmente no Vietnam, São Manuel Hguyen Van Trieu, presbítero e mártir, no reinado de Canh Thin.

    († 1798)12.   Em Génova, na Ligúria, região da Itália, São Francisco Maria de Camporosso, religioso da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, insigne pela sua caridade para com os pobres, que, durante a epidemia da peste, contraiu ele próprio a enfermidade, oferecendo-se como vítima pela salvação do próximo.(† 1866)

    13*.   Em Cracóvia, na Polónia, São Segismundo Félix Felinski, bispo de Varsóvia, que, superando muitas e graves tribulações, trabalhou energicamente pela liberdade e restauração da Igreja e, para acudir a todas as necessidades do povo, fundou a Congregação das Irmãs Franciscanas da Família de Maria.(† 1895)

    14*.   Em Castillo de Villamalefa, localidade próxima de Castellón, na Espanha, o Beato João Ventura Solsona, presbítero e mártir, que, durante a perseguição religiosa, pela sua invencível constância na fé passou à glória celeste.(† 1936)

    15*.   Em Madrid, na Espanha, o Beato Timóteo Valero Pérez, presbítero da Congregação dos Terciários Capuchinhos de Nossa Senhora das Dores e mártir, que, na mesma perseguição, alcançou a vitória no glorioso combate por Cristo.(† 1936)

    16♦.   Em Alcácer de San Juan, perto de Ciudad Real, na Espanha, o Beato Álvaro Santos Cejudo, mártir, que, sendo pai de família, durante a mesma perseguição foi recebido na glória do Senhor.(† 1936)

    17*.   Na floresta de Palmiry, perto de Varsóvia, na Polónia, o Beato Segismundo Sajna, presbítero e mártir, que, durante a guerra, morreu fuzilado por se recusar inquebrantavelmente a abjurar a fé perante um regime invasor e hostil a Deus.(† 1940)

  • São José de Cupertino

    Nascimento: Quando José Maria Desa nasceu, 17 de junho de 1603, na cidadezinha de Cupertino, na província italiana de Lecce, sua família não levava uma vida fácil. Seu pai, Félix, foi envolvido na falência financeira de um conhecido, a quem haviaprestado dinheiro, acabando na miséria. Por isso, José veio ao mundo uma estrebaria, como Jesus, e, desde criança, teve de arregaçar as mangas para contribuir com as despesas de casa, trabalhando uma venda. 

    São José de Cupertino até começou a ir à escola, mas foi acometido por uma úlcera gangrenosa, que o obrigou a deixar os estudos por cinco anos. Sua mãe, Francisca Panaca, mulher forte e vigorosa, tentou dar-lhe uma formação básica, mediante a narração da vida dos Santos, como a de São Francisco. Assim, amadureceu José o desejo de seguir e imitar a vida do “Pobrezinho de Assis”.

    Franciscanos: Aos 16 anos, pediu para entrar na Ordem dos Frades Franciscanos Conventuais, no convento da “Grottella”. Entretanto, a sua pouca formação escolar não o ajudou, sendo obrigado a voltar à sua vida de antes. Com o tempo, São José de Cupertino dirigiu-se aos Franciscanos Reformados e, depois, aos Capuchinhos de Martina Franca, mas a resposta era sempre a mesma: pouca instrução, além das suas primeiras manifestações de êxtase, durante as quais deixava cair tudo das mãos, que o tornaram inadequado para a vida comunitária. 

    Neste ínterim, o Supremo Tribunal de Nápoles estabeleceu que, ao se tornar maior de idade, José devia trabalhar, sem remuneração, até pagar toda a dívida do pai, já falecido. Diante de tal sentença, que na verdade era uma verdadeira escravidão, o jovem voltou a pedir para entrar no convento de “Grottella”. Os Frades levaram a sério a sua situação e o ajudaram a fazer um verdadeiro percurso de estudos. 

    Sacerdócio milagroso: Entre milhares de dificuldades, mas graças à sua grande força de vontade, chegou a hora de enfrentar o exame para o Diaconato. Ali, realizou-se um prodígio: José conhecia a fundo apenas uma passagem do Evangelho, precisamente aquela que, por acaso, o Bispo examinador lhe pediu para comentar. Um acontecimento extraordinário semelhante deu-se, novamente, três anos depois, durante o exame para o Sacerdócio: o Bispo interrogou alguns candidatos e, achando-os particularmente preparados, estendeu a admissão ao Sacerdócio a todos os outros candidatos. Enfim, 1628, José foi ordenado sacerdote.

    “Irmão burro” e dom de ciência infusa: A humildade de São José de Cupertino, porém, permaneceu proverbial: ciente das suas limitações culturais, nunca renunciava aos trabalhos manuais mais simples, chegando até a se apelidar “Irmão burro”; no entanto, dedicava-se ao serviço dos mais pobres. José viveu seu amor à Igreja de forma incondicional: colocou Cristo ao centro da sua vida e tinha uma profunda devoção a Maria, Mãe de Deus. Contudo, quem o ouvia falar reconhecia nele a luz de uma teologia madura, com a qual fazia debates profundos: era o dom da ciência infundida (Deus que revela o conhecimento ao homem), que o tornou um grande sábio.

    Êxtases e levitações: No entanto, se acentuavam José os fenômenos de êxtases e levitações, sobretudo quando pronunciava os nomes de Jesus e Maria. Tais episódios não passaram despercebidos à Inquisição de Nápoles, que o convocou para saber se o jovem de Cupertino estivesse abusando ou não da credulidade popular. E, precisamente, diante dos Juízes, reunidos no Mosteiro de São Gregório Armênio, José teve uma levitação. Por isso, foi absolvido de todas as acusações, mas o Santo Ofício o obrigou ao isolamento, longe das multidões.

    O ponto mais alto: a Eucaristia: Desta forma, o futuro Santo passou de um convento ao outro – Roma, Assis, Pietrarubbia, Fossombrone – até chegar a Ósimo, perto de Ancona. Finalmente, ao chegar ali, 1656, por ordem do Papa Alexandre VII, encontrou a paz. De fato, ali permaneceu sempre até a morte, levando sempre uma vida humilde, ao serviço do próximo e colóquio pessoal com Deus, que culminava na celebração Eucarística.

    Páscoa: São José de Cupertino faleceu, 18 de setembro de 1663, aos 60 anos. Bento XIV o beatificou, 1753, e Clemente XIII o canonizou 16 de julho de 1767. Hoje, seus restos mortais descansam uma urna de bronze dourado, na cripta da igreja de Ósimo, a ele dedicada. Foi construído também um Santuário, sua homenagem, Cupertino, sobre a estrebaria onde o Santo nasceu.

    Padroeiro dos Estudantes: “Capacidade de voar, com a mente e com o corpo”: eis a chave estilística, que caracterizava a vida de São José de Cupertino. No entanto, apesar das suas dificuldades nos estudos, recebeu o dom da ciência infundida e momentos de êxtase com levitações. Isso tornou-o padroeiro dos estudantes e universitários. 

    Minha oração: “Tu, que alcançastes as mais altas ciências, não pela via intelectual, mas sim pelas vias místicas, ajudai-nos nos nossos estudos e no desejo mais sincero de conhecer a Deus. Ensinai-nos a descobrir Jesus o caminho da sabedoria. Amém!”

    São José de Cupertino, rogai por nós!

    Outros santos e beatos celebrados 18 de setembro

    Martirológio Romano

    1.   Em Nicomédia, na Bitínia, hoje Izmit, na Turquia, Santo Oceano, mártir.(† data inc.)

    2.   Em Prymnesso, na Frígia, também na actual Turquia, Santa Ariadna, mártir.(† data inc.)

    3.   No território da Gália Vienense, hoje na França, São Ferréolo, mártir, que, segundo consta, era tribuno no tempo da perseguição e se recusou a prender os cristãos; por isso, feito prisioneiro por ordem do governador, foi cruelmente flagelado e metido no cárcere; tendo-se evadido, foi novamente capturado pelos perseguidores e, decapitado, recebeu a palma do martírio.(† s. III)

    4.   Em Milão, na Ligúria, hoje na Lombardia, região da Itália, Santo Eustórgio, bispo, cuja confissão de fé contra os erros arianos é louvada por Santo Atanásio.(† a. 355)

    5*.   Em Avranches, no litoral da Bretanha Menor, actualmente na França, São Senário, bispo.(† s. VI)

    6*.   Em Limoges, na Aquitânia, também na actual França, São Ferréolo, bispo, que libertou de um iminente perigo a Marcos, porta-voz do rei Quildeberto, quando o povo desta cidade o queria matar.(† s. VI f.)

    7.   Em Gortina, na ilha de Creta, Santo Euménio, bispo.(† c. s. VII)

    8*.   Em Andlau, na Alsácia da Lotaríngia, na actual Alemanha, Santa Ricarda, que era rainha, mas, renunciando ao reino terreno, serviu a Deus num mosteiro por ela fundado.(† c. 895)

    9.   Em Ósimo, no Piceno, actualmente nas Marcas, região da Itália, São José de Cupertino, presbítero da Ordem dos Frades Menores Conventuais, que, nas circunstâncias adversas da sua vida, resplandeceu pela pobreza, humildade e caridade para com os necessitados de Deus.(† 1663)

    10.   Em Nam Dinh, cidade do Tonquim, hoje no Vietnam, São Domingos Trach, presbítero da Ordem dos Pregadores e mártir, que, no tempo do imperador Minh Mang, preferindo morrer a ter de pisar o crucifixo, foi degolado e assim consumou o martírio.(† 1840)

    11*.   Em Paimol, localidade próxima da missão de Kalongo, no Uganda, os beatos David Okelo e Gildo Irwa, catequistas e mártires, que, tendo-se espontaneamente oferecido para anunciar o Evangelho ao seu povo, foram mortos a golpe de lança pelos pagãos do lugar e assim manifestaram com o seu intrépido martírio o poder de Cristo.(† 1918)

    12*.   Em Ciudad Real, na Espanha, o Beato Carlos Eraña Guruceta, religioso da Companhia de Maria e mártir, que, durante a perseguição violenta contra os sacerdotes e os religiosos, foi preso pelos milicianos e fuzilado sem processo judicial.(† 1936)

    13*.   Próximo da cidade de Gandia, na província de Valência, também na Espanha, os beatos Fernando Garcia Sendra e José Garcia Más, presbíteros e mártires, que, durante a mesma perseguição, confirmaram com o seu sangue a fidelidade ao Senhor.(† 1936)

    14*.   Em Monserrat, na mesma província de Valência, os beatos Ambrósio (Salvador Chuliá Ferrandis) e Valentim (Vicente Jaunzarás Gómez), presbíteros, e Francisco (Justo Lerma Martínez), Recaredo (José López Mora) e Modesto (Vicente Gay Zarzo), todos eles religiosos da Congregação dos Terciários Capuchinhos de Nossa Senhora das Dores, que, na mesma perseguição, foram coroados de glória pelo testemunho de Cristo.(† 1936)

    15♦.   Em Paracuellos del Jarama, localidade próxima de Madrid, também na Espanha, o Beato Salvador Fernández Pérez, presbítero da Sociedade Salesiana e mártir, que, na mesma perseguição, seguindo os passos de Cristo, com o auxílio da graça alcançou o reino da vida eterna.(† 1936)

    16*.   No campo de concentração de Dachau, próximo de Munique, na Baviera, região da Alemanha, o Beato José Kut, presbítero e mártir, natural da Polónia, que durante a guerra foi encerrado no terrível cárcere por causa da sua fé cristã e, depois de cruéis tormentos, foi ao encontro do Senhor.(† 1942)

  • São Januário

    Nascimento: São Januário nasceu Nápoles, na segunda metade do século III, e foi eleito bispo de Benevento, onde exerceu seu apostolado, amado pela comunidade cristã e respeitado também pelos pagãos. 

    A Visão: O episódio, que levou Januário ao martírio, aconteceu no início do século IV, com a retomada das perseguições contra os cristãos. Há algum tempo, Januário era muito amigo de Sóssio, diácono da cidade de Miseno. Certo dia, enquanto lia o Evangelho na igreja, teve uma visão: apareceu uma chama sobre a sua cabeça. Reconhecendo nela o símbolo do seu futuro martírio, Januário deu graças ao Senhor e pediu para que aquele fosse o seu destino. 

    Páscoa: Reconhecendo o seu destino, o Bispo convidou Sóssio a participar da visita pastoral, que se realizaria Pozzuoli, para falar sobre a fé. O diácono pôs-se a caminho, mas, durante a viagem, foi preso pelos guardas, enviados por Dragôncio, governador da Campânia. 

    Na prisão, recebeu a visita de Januário, acompanhado pelo diácono Festo e o leitor Desidério: os três tentaram interceder, junto a Sóssio, pela sua libertação. Mas, resposta, todos foram condenados a serem dilacerados publicamente pelos ursos. No entanto, a notícia da sua condenação à morte não foi bem vista pelo povo. Por isso, temendo uma revolta, o governador mudou a sentença para uma decapitação discreta, longe dos olhos do povo. Foram martirizados também Próculo, diácono da igreja de Pozzuoli, e os fiéis Eutíquio e Acúcio, por terem criticado a execução publicamente.

    Outra versão do seu martírio: Nem todas as fontes, tão antigas, concordavam com o martírio de São Januário e, por isso, há outra hipótese do que, provavelmente, poderia ter acontecido: enquanto Januário se encaminhava para Nola, o pérfido juiz, Timóteo, o prendeu com a acusação de proselitismo, que violava os decretos imperiais. No entanto, as torturas perpetradas contra o Santo não afetaram seu corpo ou sua fé. 

    Por isso, Timóteo o jogou uma fornalha da qual, mais uma vez, Januário saiu ileso. Enfim, foi condenado à decapitação um lugar perto da chamada Solfatara. Durante a sua transferência, encontrou um mendigo, que lhe pede um pedaço do seu manto para guardar como relíquia: o Santo respondeu que podia ficar com todo o lenço, que estava amarrado seu pescoço, antes da execução. Antes de morrer, Januário colocou um dedo na garganta, que também foi decepado pela lâmina, junto com o lenço, depois conservados como relíquia.

    O Milagre do Sangue: Segundo o costume, por ocasião da execução dos mártires, uma mulher, Eusébia, chegou ao lugar da morte de Januário e recolheu, duas ampolas, o sangue derramado pelo Bispo, já odor de santidade. Ela as entregou ao Bispo de Nápoles, que mandou construir duas capelas homenagem ao sagrado traslado: São Januarinho Vômero e São Januário Antignano. Seu corpo, ao invés, sepultado na zona rural de Marciano, teve uma primeira translação, no século V, quando o culto ao Santo já era bem difundido. São Januário foi canonizado por Sisto V, 1586. 

    Relíquia: Quanto à relíquia do seu sangue, foi exposta, pela primeira vez, 1305. Porém, o milagre do seu sangue, que parece quase ferver e voltar ao estado líquido, permanecendo até a oitava seguinte, ocorreu, pela primeira vez, 17 de agosto de 1389, após uma grande escassez. Hoje, o milagre se repete três vezes ao ano: no primeiro sábado de maio, memória da primeira translação; 19 de setembro, memória litúrgica do Santo e data do seu martírio; e 16 de dezembro, para comemorar a desastrosa erupção do Vesúvio, 1631, bloqueada por intercessão do Santo. As duas ampolas estão conservadas uma teca de prata, por desejo de Roberto d’Angiò, na Capela do Tesouro de São Januário, na Catedral de Nápoles.

    Via de Santificação:São Januário é venerado desde o século V, mas sua confirmação canônica veio somente por meio do Papa Sisto V 1586.

    Minha oração: “Querido bispo, levai o teu povo ao mais profundo mistério dos milagres. Curai os doentes e socorrei os necessitados, assim como Cristo deseja realizar nós. Que através das tuas relíquias aconteçam grandes conversões. Amém!”

    São Januário, rogai por nós!

    Outros santos e beatos celebrados 19 de setembro

    Martirológio Romano

    São Januário, bispo de Benevento e mártir, que, Pozzuóli, próximo de Nápoles, na Campânia, durante a perseguição contra a fé cristã, padeceu o martírio por Cristo.(† s. IV)

    2.   Em Sínada, na Frígia, hoje Cifitkasaba, na Turquia, São Trófimo, mártir.(† data inc.)

    3.   Na Palestina, os santos mártires Peleu e Nilo, bispos no Egipto, Elias, presbítero, e Patermúcio, que, pela sua fé Cristo, foram queimados vivos juntamente com muitos outros clérigos, durante a perseguição do imperador Diocleciano.(† 310)

    4.   Em Tours, na Gália Lionense, actualmente na França, Santo Eustóquio, bispo, que, procedendo da ordem senatorial, foi um homem santo e religioso e sucedeu a São Brício na sede episcopal.(† 461)

    5.   No mosteiro de Sisteron, no território de Langres, também na Gália, hoje na França, São Sena, presbítero e abade.(† s. VI)

    6.   No território de Bourges, na Aquitânia, também na hodierna França, São Mariano, eremita, que se alimentava apenas de frutos silvestres e mel eventualmente encontrado.(† s. VI)

    7*.   Em Metz, na Austrásia, também na actual França, São Goerico ou Abão, bispo, que sucedeu a Santo Arnolfo, cujo corpo trasladou solenemente para esta cidade.(† c. 642)

    8.   Em Cantuária, na Inglaterra, São Teodoro, bispo, que, sendo monge procedente de Tarso, foi ordenado bispo pelo papa São Vitaliano e enviado quase septuagenário para a Inglaterra, onde governou com fortaleza de ânimo a Igreja que lhe foi confiada.(† 690)

    9.   Em Córdova, na Andaluzia, região da Espanha, Santa Pomposa, virgem e mártir, que, durante a perseguição dos Mouros, ao ter conhecimento do martírio de Santa Colomba, saiu furtivamente do mosteiro de Peñamelária direcção a Córdova, onde declarou destemidamente perante o juiz a sua fé Cristo e, imediatamente degolada às portas do palácio, conseguiu a palma gloriosa.(† 853)

    10*.   Em Freising, na Baviera, região da Alemanha, São Lamberto, bispo.(† 957)

    11*.   Em Buonvicino, próximo de Cosenza, na Calábria, região da Itália, São Ciríaco, abade.(† 1030)

    12*.   Em Gap, na Provença, região da França, Santo Arnolfo, bispo, que superou muitas dificuldades para reformar a recta disciplina na vida da Igreja.(† c. 1075)

    13*.   Em Barcelona, na Catalunha, região da Espanha, Santa Maria de Cervelló, virgem da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, que, pela obra realizada favor dos que a ela acorriam, era chamada popularmente “Maria do Socorro”.(† 1290)

    14.   Em Madrid, também na Espanha, Santo Afonso de Orozco, presbítero da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, que, sendo o pregador da corte do rei, procedeu sempre com grande austeridade e humildade.(† 1591)

    15.   Em Seul, na Coreia, a paixão de São Carlos Hyon Song-mun, mártir, que, sendo catequista, servia de guia, através de longas e árduas caminhadas, aos missionários na sua pátria; encerrado no cárcere com outros cristãos, nunca cessou de os exortar e finalmente foi degolado por causa da fidelidade a Cristo.(† 1846)

    16.   Em Villefranche-de-Rouergue, no território de Rodez, na França, Santa Maria Gulhermina Emília de Rodat, virgem, que, para a formação das jovens e auxílio aos pobres, fundou a Congregação das Irmãs da Sagrada Família.(† 1852)

    17*.   Em Ciempozuelos, povoação próxima de Madrid, na Espanha, o Beato Jacinto Hoyuelos González, religioso da Ordem de São João de Deus e mártir, que, durante a perseguição contra a Igreja, pela confissão de Cristo sofreu um glorioso martírio.(† 1936)

    18*.   Em Benifayó, localidade da província de Valença, também na Espanha, a Beata Francisca Cualladó Baixauli, virgem e mártir, que, na mesma perseguição contra a fé, derramou o seu sangue por Cristo.(† 1936)

    19*.   Em Madrid, também na Espanha, as beatas Maria de Jesus de la Iglesia y de VaroMaria das Dores Aguiar-Mella y Díaz e Consolação Aguiar-Mella y Díaz, virgens do Instituto das Filhas de Maria das Escolas Pias e mártires, que foram coroadas pelo testemunho de Cristo.(† 1936)

  • Santos André Kim Taegón

    Origens: A Igreja coreana foi fundada por leigos: eis a peculiaridade que a distingue das demais Igrejas. Segundo o Missal Romano, o Espírito sopra onde quer. Por isso, naquela estreita península, na extremidade oriental do mundo, o mesmo Espírito inspirou o coração de alguns homens, que abriram suas almas à nova fé, transmitida pelas delegações eclesiásticas chinesas, que visitavam a Coreia, anualmente, desde o início do século XVII.

    Chegada de Sacerdotes à Coreia: Com o passar do tempo, os sacerdotes iam à Coreia e levavam consigo escritos religiosos e livros para aprofundar a fé. No entanto, a comunidade nascente, cada vez mais fecunda e prometedora, começou a pedir a Pequim para mandar mais missionários às suas terras e foi atendida. O Padre Chu-mun-mo chegou à Coreia e, assim, tiveram início as celebrações litúrgicas.

    A Perseguição: Entretanto, a prosperidade da fé da nova comunidade não passou despercebida. O governo coreano não via com bons olhos o novo culto, que levou ao país novos ritos, bem diferentes dos tradicionais. Assim, 1802, foi promulgado um édito estatal, que não proibia apenas a crença cristã, mas também mandava exterminar os cristãos. 

    O primeiro a ser assassinado foi o único sacerdote chinês. Contudo, 1837, chegaram mais dois, acompanhados por um Bispo, pertencentes às Missões Estrangeiras de Paris,bora houvesse ainda perseguições.

    André Kim Taegon, primeiro sacerdote da Coreia: André foi um dos primeiros sacerdotes coreanos, nascidos e criados no país. Nasceu 1821, uma família convertida e muito fervorosa, tanto que seu pai transformou sua casa igreja doméstica, onde se reuniam muitos fiéis para ser batizados.

    André Kim respirava a fé, desde criança, e conheceu de perto o martírio precoce com a morte do seu pai, assassinado aos 44 anos. Tais episódios, porém, fortaleceram ainda mais a sua fé, a ponto de ir a Macau para receber a ordenação sacerdotal. Ao regressar à Coreia como diácono, 1844, favoreceu, às ocultas, a entrada no país do Bispo Ferréol. Juntos, trabalharam como missionários, sempre segredo, apesar do eterno clima de perseguição. 

    André, de modo particular, conhecendo os costumes e a mentalidade locais, obteve resultados extraordinários seu apostolado. Contudo, foi descoberto e preso, por tentar enviar documentações e testemunhos para a Europa. Padre André Kim Taegon foi martirizado 16 de setembro de 1846.

    Companheiros Mártires: Foram dez mil mártires. Desses, a Igreja canonizou muitos que foram agrupados para uma só festa, liderados por André Kim Taegon. Neste dia, veneram-se na mesma celebração todos os cento e três mártires que na Coreia deram testemunho da fé cristã. Todos estes atletas de Cristo – entre os quais três bispos, oito presbíteros e todos os outros leigos: homens e mulheres, casados ou não, anciãos, jovens e crianças – suportando o suplício, consagraram com o seu precioso sangue os primórdios da Igreja na Coreia.

    Paulo Chong Hasang, catequista peregrino: A história de Paulo é a de um herói da fé, pois, ainda jovem, presenciou ao martírio de metade da sua família. Paulo Chong, natural de Mahyan, nasceu 1795; foi preso, com sua mãe e irmã, e privado de todos os seus bens. Ao readquirir a sua liberdade, sua fé ficou mais forte do que nunca; transferiu-se para Seul, onde se uniu à comunidade cristã local, com a qual trabalhou muito, obtendo novas conversões. Sozinho e a pé, apesar das enormes dificuldades, fez pelo menos 15 peregrinações à China, comprometendo-se para levar sacerdotes e missionários às terras coreanas de Pequim. Hospedado na casa do Bispo francês de Imbert, que ajudou a entrar na Coreia, recebeu o convite para ser sacerdote. Porém, Paulo foi preso, durante as perseguições anticristãs, e martirizado 22 de setembro de 1839.

    Via de Santificação: A canonização ocorreu 06 de maio de 1984, pelo Papa João Paulo II. Determinando o dia 20 de setembro para a celebração litúrgica.

    Minha oração: 

    “Pedimos a intercessão dos mártires pelo povo coreano e seus descendentes, pedimos pelo país e seus governantes, para que sejam conforme os valores cristãos e a fé possa florescer nessa região através desse testemunho. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”

    Santo André Kim e companheiros mártires, rogai por nós!

    Outros santos e beatos celebrados 20 de setembro

    Martirológio Romano

    Memória dos santos André Kim Taegon, presbítero, Paulo Chong Ha-sang e companheiros[1], mártires na Coreia. Neste dia veneram-se na mesma celebração todos os cento e três mártires que na Coreia deram testemunho da fé cristã, neste reino introduzida primeiro por iniciativa de alguns leigos fervorosos e depois alimentada e fortalecida pela pregação dos missionários e a celebração dos sacramentos. Todos estes atletas de Cristo – entre os quais três bispos, oito presbíteros e todos os outros leigos: homens e mulheres, casados ou não, anciãos, jovens e crianças – suportando o suplício, consagraram com o seu precioso sangue os primórdios da Igreja na Coreia.


    [1]  São estes os seus nomes: Simeão Berneux, António Daveluy, Lourenço Imbert, bispos; Justo Ranfer de Bretenières, Luís Beaulieu, Pedro Henrique Dorie, Pedro Maubant, Tiago Chastan, Pedro Aumaître, Martinho Lucas Huin, presbíteros; João Yi Yun-il, André Chong Hwa-gyong, Estêvão Min Kuk-ka, Paulo Ho Hyob, Agostinho Pak Chonwon, Pedro Hong Pyong-ju, Paulo Hong Yong-ju, José Chang Chu-gi, Tomé Son Chason, Lucas Huwang Sok-tu, Damião Nam Myong-hyog, Francisco Ch’oe Kyong-hwan, Carlos Hyon Song-mun, Lourenço Han I-hyong, Pedro Nam Kyong-mun, Agostinho Yu Chin-gil, Pedro Yi Ho-yong, Pedro Son Son-ji, Benedita Hyong Kyong-nyon, Pedro Ch’oe Ch’ang-hub, catequistas; Águeda Yi, Maria Yi In-dog, Bárbara Yi, Maria Won Kwi-im, Teresa Kim Im-i, Columba Kim Hyo-im, Madalena Cho, Isabel Chong Chong Hye, virgens; Teresa Kim, Bárbara Kim, Susana U Sur-im, Águeda Yi Kan-nan, Madalena Pak Pong-son, Perpétua Hong Kum-ju, Catarina Yi, Cecília Yu So-sa, Bárbara Cho Chung-i, Madalena Han Yong-i, viúvas; Madalena Son So-byog, ÁguedaYi Kiong-i, Águeda Kwon Chin-i, João Yi Mun-u, Bárbara Ch’oe Yong-i, Pedro Yu Chong-nyul, João Baptista Nam Chongsam, João Baptista Chon Chang-un, Pedro Ch’oe Hyong, Marcos Chong Ui-bae, Aleixo U Se-yong, António Kim Song-u, Protásio Chong Kuk-bo, Agostinho Yi Kwang-hon, Águeda Kim A-gi, Madalena Kim O-bi, Bárbara Han A-gi, Ana Pak A-gi, Águeda Yi So-sa, Luzia Pak Hui-sun, Pedro Kwon Tu-gin, José Chang Song-jib, Madalena Yi Yong-hui, Teresa Yi Mae-im, Marta Kim Song-im, Luzia Kim, Rosa Kim, Ana Kim Chang-gum, João Baptista Yi Kwang-nyol, João Pak Hu-jae, Maria Pak Kun-a-gi Hui-sun, Bárbara Kwon-hui, Bárbara Yi Chong-hui, Maria Yi Yon-hui, Inês Kim Hyo-ju, Catarina Chong Ch’or-yom, José Im Ch’i-baeg, Sebastião Nam I-gwan, Inácio Kim Che-jun, Carlos Cho Shin-ch’ol, Julieta Kim, Águeda Chon Kyong-hyob, Madalena Ho Kye-im, Luzia Kim, Pedro Yu Taech’ol, Pedro Cho Hwa-so, Pedro Yi Myong-so, Bartolomeu Chong Mun-ho, José Pedro Han Chae-kwon, Pedro Chong Wom-ji, José Cho Yun-ho, Bárbara Ko Sun-i, Madalena Yi Yong-dog. († 1839-1866)

    2.   Em Sínada, na Frígia, hoje Cifitkasaba, na Turquia, São Dorimedonte, mártir.(† s. III)

    3.   Em Roma, a comemoração de Santo Eustáquio, mártir, cujo nome é celebrado numa antiga diaconia da cidade.(† data inc.)

    4.   Em Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia, os santos mártires Hipácio, e Asiano, bispos, e André, presbítero, que, no tempo do imperador Leão o Isáurico, pela defesa das sagradas imagens, depois de cruéis e graves tormentos, foram lançados como alimento aos cães.(† c. 740)

    5*.   Perto da cidade de Arco, no Trentino, região da Itália, o Beato Adelpreto, bispo, estrénuo defensor dos pobres e crianças e da liberdade da Igreja, que, surpreendido pelas ciladas dos inimigos, foi cruelmente espancado até à morte.(† c. 1172)

    6*.   Em Londres, na Inglaterra, o Beato Tomás Johnson, presbítero da Cartuxa desta cidade e mártir, que, no reinado de Henrique VIII, encarcerado na prisão de Newport     por causa da sua fidelidade à Igreja, foi o nono dos seus confrades que ali morreu de fome e enfermidade.(† 1537)

    7*.   Em Córdova, na Espanha, o Beato Francisco de Posadas, presbítero da Ordem dos Pregadores, insigne pela sua penitência, humildade e caridade, que durante quarenta anos anunciou a Cristo nesta região.(† 1713)

    8.   Na fortaleza de Son-Tay, no Tonquim, agora no Vietnam, São João Carlos Cornay, presbítero da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris e mártir, que, por decreto do imperador Minh Mang, depois de sofrer cruéis suplícios foi esquartejado e finalmente degolado por causa da fé cristã.(† 1837)

    9.   Em Seul, na Coreia, os santos Lourenço Han I-hyong, catequista, e seis companheiros[2], mártires, que morreram por Cristo, enforcados diversos cárceres. A sua memória celebra-se hoje, juntamente com a dos outros mártires desta região.


    [2]  São estes os seus nomes: Pedro Nam Kyong-mun, catequista; Teresa Kim Im-i, virgem; Susana U Sur-im e Águeda Yi Kan-nan, viúvas; Catarina Chong Ch’or-yom e José Im Ch’i-nbeg, baptizado no cárcere. 

    († 1837)

    10.   Em Puebla, no México, São José Maria de Yermo y Parres, presbítero, que fundou a Congregação das Servas do Coração de Jesus e dos Pobres, para socorrer os indigentes nas necessidades da alma e do corpo. 

    († 1904)

    11♦.   Em Pozoblanco, perto de Córdova, também na Espanha, a Beata Teresa Cejudo Redondo, mãe de família, cooperadora salesiana e mártir, que, na violenta perseguição contra a Igreja, foi assassinada ódio à vida religiosa. († 1936)

    12♦.   Em Sittard, na Holanda, a Beata María Teresa de São José (Anna Maria Tauscher van den Bosch), virgem, fundadora da Congregação das Irmãs Carmelitas do Divino Coração de Jesus.(† 1938)